Fernanda silva y Sonia sobral / brasil / performance

Involuntários da Pátria. Porque outra é a nossa vontade

A performance Involuntários da Pátria baseia-se no texto da aula pública proferida pelo antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, em abril de 2016, nas escadarias da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Em sua aula-manifesto, Viveiros acusa aqueles que se acham os donos do Brasil – a burguesia do agronegócio, o grande capital internacional e a “otária fração fascista” das classes médias e altas urbanas – de preparem uma ofensiva final contra os índios, apoiados desavergonhadamente por um Estado que tem por obrigação constitucional protegê-los.
O texto apresenta os índios como os primeiros involuntários da pátria, que foram transformados em pobres, assim como os negros, para servirem ao sistema capitalista. “Caiu-lhes sobre a cabeça uma pátria que não pediram e que só lhes trouxe humilhação, escravidão e despossessão”.
A ideia de transformar a aula em performance, segundo Sonia Sobral, nasceu da necessidade de reagir aos acontecimentos políticos daquele momento. Poucos dias antes da aula pública, o país assistira à farsa da votação do impeachment da presidente Dilma Roussef e à insanidade das falas dos deputados federais que prefiguravam o que viveríamos e escancaravam o golpe. “O texto de Viveiros de Castro me fez lembrar que o golpe de 2016 começou em 1500 e provocou em mim o desejo de resistência”.
“Com tudo isso reverberando, conheci a atriz Fernanda Silva numa residência artística no Campo Arte Contemporânea, em Teresina e reconheci em seu corpo todos os povos involuntários a que o texto aludia: o povo negro, o povo indígena, o povo pobre, o povo LGBTQ. Convidei-a para o projeto e fomos para a margem do Rio Parnaíba onde Fernanda engoliu o texto feito uma canibal”.
concepção e criação | sonia sobral
criação e performance | fernanda silva
texto | eduardo viveiros de castro | série Pandemia, N-1edições
realização ! Campo Arte Contemporânea

bio


fernanda silva

Fernanda Silva, é atriz e diretora, criou há 25 anos o Grupo de Teatro Metáfora, que mantém, desde 2005, o Teatro Metáfora como espaço de resistência em Parnaíba, PI.<br><br> .<br>

sonia sobral

Sonia Sobral é curadora de dança do Centro Cultural São Paulo. Integra grupos de pesquisas cênicas e dramatúrgicas

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